Muito se falou sobre a retomada do turismo – e não há uma pessoa que trabalhe no setor que não tenha contado os dias para que o ir e vir dos(as) viajantes voltasse ao normal. Hoje, pouco mais de dois anos desde o agravamento da pandemia no Brasil, as pessoas não só voltaram a sonhar com viagens, como muita gente já foi bater asas longe de casa e já até começou a programar a próxima aventura.
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Pode ser uma escapadinha rápida, uma viagem mais longa ou aquela tão desejada (e adiada) ida ao exterior. A verdade é que a COVID-19 mostrou que não há tempo a perder. E quem vai discordar? Entretanto, isso tudo é muito bonito na teoria. Mas como será que este cenário está sendo na prática? As empresas que atuam na indústria de viagens já esperavam lidar com uma demanda reprimida – mas ela era (e é) de fato tão grande assim?
Fomos conversar com Claudia Pinheiro, diretora de Vendas B2B da CVC Corp. Afinal, o maior grupo de turismo da América Latina é um dos melhores termômetros de como está o interesse da galera em viajar. Leia na íntegra o nosso bate-papo!
ENTREVISTA EXCLUSIVA: CLAUDIA PINHEIRO, DIRETORA DE VENDAS B2B DA CVC CORP
1. A retomada do turismo está sendo tão boa quanto o esperado? Como você definiria este momento histórico pelo qual todo o setor está passando?

Esperamos por muito tempo pela retomada. E agora temos evidências fortes de que ela não vai embora tão rápido, já que o avanço da vacinação trouxe um cenário mais otimista e as pessoas não veem a hora de realizar tudo aquilo que teve de ser adiado. O reflexo disso está no movimento intenso dos últimos meses, tanto no lazer quanto no corporativo. As pessoas estão viajando mesmo considerando um cenário econômico não tão estável.
Ao mesmo tempo, aproveitamos a crise e o movimento baixo para preparar nosso time comercial, revisar nosso atendimento e, acima de tudo, entender quais produtos despertariam mais o interesse dos(as) nossos(as) clientes. Agora, nossa prateleira está mais do que preparada. A venda forte veio pra ficar.
2. Bate-pronto: quais destinos estão sendo mais procurados pelos(as) viajantes?
Bom, considerando lazer e corporativo, eu diria que o internacional está muito bem representado por Lisboa, Paris, Nova York, Orlando e Miami. Por outro lado, no nacional, destaco São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Porto Alegre.
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Entendo que a retomada trouxe de volta os destinos tradicionais para o corporativo, os mesmos de antes da pandemia, ao passo que, no lazer, a prioridade tem sido os lugares para curtir com a família. Ou seja: para recuperar as férias que ficaram pra trás.
3. A forma de vender viagens mudou depois da COVID-19? Se sim, como?
De modo geral, todos(as) nós ficamos mais cuidadosos(as). Isso inclui da escolha do destino às informações sobre segurança na hospedagem e à contratação de seguro-viagem com cobertura para COVID-19, por exemplo.
Adaptamos muitos de nossos processos para dar mais qualidade e mais rapidez ao acesso às informações, a fim de que o(a) passageiro tenha em mãos tudo aquilo que ele(a) precisa para uma viagem tranquila do início ao fim. Inclusive, temos um site 100% dedicado às regras de entrada nos países. Na aba “restrições de viagem” implementamos uma ferramenta chamada Sherpa para garantir que o conteúdo esteja sempre o mais atualizado possível. Para acessá-lo, é só clicar aqui.
4. A Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas) divulgou que o segmento faturou R$ 869 milhões no último mês de março. Este total é apenas 2% menor do que o registrado no mesmo período de 2019 (ou seja, pré-pandemia). Ainda de acordo com a entidade, as viagens corporativas representam 60% dos bilhetes aéreos emitidos. Como você enxerga este cenário? Ele deve se manter assim ou é um reflexo temporário da retomada do turismo?
As viagens corporativas praticamente pararam durante a pandemia. Afinal, as empresas não quiseram, e com toda a razão, expor seu quadro de colaboradores(as) a quaisquer tipos de riscos. Sendo assim, o modelo de home office rapidamente se “encaixou”.
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Porém, de uns tempos pra cá, ouvi de um cliente: “nos adaptamos ao modelo do home office, mas não há nada como o ‘shaking hands’ (aperto de mãos). O ser humano precisa disso mesmo no universo do corporativo”. Por conta disso, o que estamos vendo agora é uma explosão de empresas interessadas em levar seus times para fazer as convenções que foram suspensas durante dois anos. A visita a clientes de outros destinos também vai acontecer presencialmente. Eu mesma, aliás, direcionei meu time comercial para essas visitas, uma vez que esta proximidade faz o negócio acontecer, a roda girar.
De toda forma, agora temos essa demanda reprimida mais forte, embora eu acredite que ela deva voltar à normalidade no segundo semestre.
5. Depois de tanto tempo dentro de casa o(a) viajante está disposto(a) a gastar mais em uma viagem?

O cenário é: as pessoas querem viajar e sair da rotina em busca de bem-estar e de novos ares. Muita gente, inclusive, tem o que pode ser chamado de “poupança reprimida”, criada justamente para isso. Até porque quantas viagens comemorativas de aniversário, casamento e formaturas, por exemplo, não aconteceram?
Hoje, o que eu vejo são as pessoas querendo se presentear e incluir experiências novas às viagens, mesmo as que já estavam planejadas. Por outro lado, nem tudo são flores: é muito importante destacar que temos o câmbio, a inflação e a alta dos juros como desafios.
6. O Google Trends indica um crescimento gigantesco nas buscas por destinos internacionais. Você acredita que o interesse pelo Brasil deve esfriar um pouco devido às reaberturas de fronteiras?
A reabertura das fronteiras e, portanto, o afrouxamento nas regras de entrada e saída nos países fez a busca por destinos internacionais aumentar significativamente e recuperar boa parte do share perdido na pandemia.
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Contudo, o crescimento é notável também no nacional. Conforme citei na resposta anterior, não podemos nos esquecer que o câmbio é um fator de decisão para a escolha do destino em muitos casos, ele pesa no orçamento. Sendo assim, acredito de verdade que os destinos nacionais devem deter o maior share pelos próximos meses.
7. A CVC Corp incluiu recentemente em seu portfólio destinos do norte da Argentina, como Salta. A região, embora belíssima e cheia de atrativos, ainda não recebe tantos(as) brazucas quanto poderia. Você acredita que a tendência, agora, nesta retomada do turismo, seja de as pessoas buscarem por lugares que fogem do tradicional?

Os números do setor mostram que todo mundo quer viajar. Afinal, não pudemos conhecer lugares e nem conviver com pessoas diferentes por praticamente dois anos inteiros. Então, acredito, sim, que as pessoas estejam interessadas em lugares novos (os “não tradicionais”) em busca de conhecimento, novas experiências e, principalmente, para viver novamente a liberdade de ir e vir. Isso certamente enriquece a alma. E esse é o nosso papel: ter uma prateleira de produtos e serviços completa e diversa para que, assim, os(as) clientes façam suas escolhas de acordo com as suas necessidades.
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8. Muito se tem falado sobre a importância da valorização da mulher em cargos de liderança. Como é ser mulher e ocupar uma posição no corpo diretivo do maior grupo de turismo da América Latina?
Essa pergunta me faz pensar na trajetória até aqui, não só pelo fato de ser mulher, mas por poder lembrar quantas coisas boas vivi, pessoal e profissionalmente falando.
Tive muitas referências femininas, de diferentes áreas e segmentos, que me deram uma mão no desenvolvimento da minha carreira e me ajudaram a ser quem sou. Sem querer ser clichê, o equilíbrio dos pratos não é simples, apesar de ele te fazer ganhar jogo de cintura, te ensinar a segurar o choro quando ele não pode vir e te dar coragem para saber que nós podemos ser o que quisermos.
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Sempre me perguntam se eu já fui discriminada por ser mulher e a minha resposta não muda: “nunca, pois nunca dei essa ousadia”. Cresci ao lado de mulheres fortes, determinadas, que sabem conquistar a confiança para seguir. Dessa forma, pude formar as minhas meninas, a Fê e a Gabi, que me fizeram e ainda fazem ser cada dia melhor. Elas são a melhor parte do meu currículo.
A CVC Corp trouxe um novo segmento para continuar a construção da minha carreira. E posso dizer que o turismo me encanta a cada dia. Conto por aqui com um time forte, que me ensina todos os dias, e busco inspiração neles – assim como busco inspirá-los(as). Essa troca de energia, de aprendizado e superação de resultados sempre foi o meu combustível. Em outras palavras, tenho muito orgulho do que estamos fazendo por aqui.

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Agora é a sua vez de falar: como você enxerga a retomada do turismo, hein? Queremos saber, seja você um(a) profissional do setor ou alguém que, assim como nós, ama viajar <3
Ah, e, só pra reforçar, um lembrete do bem: se for viajar, que seja com o apoio de um(a) agente de viagens, viu? Dessa forma a trip rola sem perrengues e você tem apoio antes, durante e depois do passeio!