Henrik Jeppesen: conheça o dinamarquês que visitou todos os 193 países

Brazzaville - República do Congo | Crédito: Henrik Jeppesen

Brazzaville – República do Congo | Crédito: Henrik Jeppesen

*Conteúdo publicado pela primeira vez em 01/08/2017

Viajar é a palavra preferida de muita gente e não é muito difícil entender o porquê. Contudo, algumas pessoas levam esta paixão tão a sério que se tornaram verdadeiras autoridades no assunto. Este é o caso de Henrik Jeppesen, que descobriu há mais de dez anos o poder irresistível escondido por detrás dessas seis letras e que é capaz de adicionar um quê de magia ao dia a dia, transformando completamente o modo de enxergar a vida.

Socotrá – Iémen | Crédito: Henrik Jeppesen

Socotrá – Iémen | Crédito: Henrik Jeppesen

Sua história começou no pequeno distrito de Thy, na Dinamarca, onde nasceu. Até seu 17º aniversário a rotina transcorria de forma tranquila e pacata, com algumas poucas viagens em família aqui e ali. A decisão de ir sozinho ao Egito chegou de repente e despertou um espírito aventureiro que, desde então, não descansou mais.

Hoje, Jeppesen faz parte de um grupo superexclusivo, composto por cerca de 100 pessoas que, assim como ele, visitaram os 193 países ao redor do globo, um marco extraordinário para um jovem de então 28 anos.

Filmes e programas de televisão que retratam a cultura e as peculiaridades encontradas em destinos de todo o mundo o estimularam a traçar uma meta ousada: visitar 50 nações. Quando o objetivo foi alcançado, este número saltou para 100. “A partir daí decidi conhecer todos os lugares, até porque já me sentia extremamente confortável viajando”, explica.

E o Oscar de melhor destino vai para… 

A bordo de 850 voos operados por mais de 200 companhias aéreas Jeppesen conheceu aqueles que se tornariam seus destinos favoritos por uma série de razões: Nova Zelândia, Itália e França, pela culinária; Irã, pela amabilidade da população; Ilhas Maldivas e Seychelles, por disponibilizarem as condições ideais para quem quer sombra e água fresca, e África do Sul, por reunir tudo isso e mais um pouco – e olha que este é um destino que ele conhece bem, tendo percorrido as nove províncias que dividem o país.

A lista de números impressionantes continua: hospedagem em mil hotéis e resorts e refeições em centenas de restaurantes, sete deles classificados com três estrelas no Michelin. Só para lembrar, Michelin é o guia que reconhece os melhores estabelecimentos gastronômicos do mundo. Em linhas gerais, a jornada pelos seis continentes rendeu, até agora, dez passaportes preenchidos com vistos e carimbos e uma coleção de histórias inusitadas.

Muitas histórias para contar

Garantir a ida até a Líbia, por exemplo, não foi tarefa fácil, especialmente por conta da dificuldade em obter o visto. Após várias tentativas infrutíferas com a embaixada, ele recorreu à ajuda do jornalista dinamarquês Rasmus Tantholdt, que o colocou em contato com um profissional da imprensa que atuava no país. “Vinte minutos depois de adicioná-lo no WhatsApp ele já tinha conseguido agilizar o processo do meu visto. Ao chegar à capital Tripoli, ele ainda me apresentou ao primeiro-ministro Khalifa Al-Ghawi”, lembra.

Outro acontecimento marcante se deu durante a visita ao Azerbaijão. Isso porque, após obter a documentação necessária em Batumi, cidade costeira do Mar Negro que faz parte da Geórgia, na Europa Oriental, ele se dirigiu até a fronteira que separa os dois países sem saber que o visto só começaria a valer a partir do dia seguinte. Ele, então, teve de aguardar até a meia-noite para seguir viagem. O único porém é que, por conta do horário avançado, praticamente não havia transporte ou pessoas nas ruas.

Fernando de Noronha -  Pernambuco - Brasil | Crédito: Henrik Jeppesen

Fernando de Noronha –  Pernambuco – Brasil | Crédito: Henrik Jeppesen

“Eu não tinha outra opção a não ser esperar ali mesmo, no escuro. Quando um carro finalmente apareceu, fiz o gesto com as mãos e pedi carona. O casal, que não falava nenhuma palavra em inglês, telefonou para uma mulher que lecionava o idioma e me entregou o celular. Ao entenderem que eu queria ir até Baku, a capital azerbaijana, me levaram até uma pessoa que cobrou pouco mais que uma passagem de ônibus para percorrer o trajeto de quase 500 km. Graças a essa incrível hospitalidade pude dar continuidade aos meus planos”, afirma.

A passagem pelo Brasil foi igualmente positiva. Ao ser questionado sobre o que mais chamou sua atenção por aqui a resposta foi imediata: o Rio de Janeiro. “Gostei do Rio pelo clima, pelas pessoas, pela Praia de Copacabana e pela comida excelente. Mas curti muito também as deslumbrantes cidades de Estocolmo e Gotemburgo (Suécia), Reykjavik (Islândia), Cidade do Cabo (África do Sul), Brisbane (Austrália) e Auckland (Nova Zelândia)”, ressalta.

Nem tudo são flores

Ao mesmo tempo em que conviver com tantas culturas pode ser libertador e ajudar a deixar velhos preconceitos para trás, Jeppesen passou por alguns perrengues. Um deles diz respeito à gastronomia. Ter a chance de se entregar às delícias culinárias ao redor do planeta é privilégio de poucos, é verdade, mas rendeu quatro intoxicações alimentares. Consequentemente, isso ampliou seu interesse por comida orgânica.

Serra Leoa - África | Crédito: Henrik Jeppesen

Serra Leoa – África | Crédito: Henrik Jeppesen

Nesses mais de 3 mil dias dedicados a embarques e desembarques, ele teve inúmeras oportunidades de visitar lugares aos quais sabe que não voltaria, sobretudo regiões que apresentam riscos à segurança por se manterem em constantes conflitos. Ainda assim, mesmo hoje, muito tempo depois de sua primeira viagem, poder visitar um destino ainda desconhecido é capaz de fazê-lo sentir aquele friozinho característico na barriga antes de partir. E é exatamente isso que o motivou a realizar um novo sonho: percorrer os 132 territórios do globo não reconhecidos como Estados (ou seja, que tenham população permanente, governo próprio e o reconhecimento por parte de outros países) – faltam 34 para cumprir esta missão.

Para Jeppesen, tudo o que você precisa é de…

Pouca bagagem. Esta é outra dica importante para quem tem interesse em seguir seus passos. “A bagagem não precisa ter muitos quilos. Notebook, smartphone, passaporte e cartão de crédito, por exemplo, são tudo o que um viajante precisa”, confidencia.

Estar disposto a correr riscos é outra característica fundamental. Ter noções de inglês pode tornar tudo mais fácil, é verdade, mas nem mesmo isso garante que a comunicação será simples. “Em São Tomé e Príncipe, na África, achei que tivesse perdido o voo. Ninguém falava inglês. Quando finalmente encontrei uma pessoa que me entendia descobri que o check-in ainda nem havia começado”, revela, divertido.

Georgia Island - território britânico | Crédito: Henrik Jeppesen

A paisagem gélida de Georgia Island – território britânico | Crédito: Henrik Jeppesen

Para este viajante profissional, desbravar o mundo é uma atividade que exige perseverança. Sete meses antes de dar início ao seu projeto, ele diz ter recebido um e-mail do gerente – “Isso não está legal”, ele escreveu –, visto que em sua conta havia apenas 10 mil coroas dinamarquesas (aproximadamente R$ 5.042). No entanto, encontrar uma maneira de contornar os obstáculos e cair na estrada podem abrir a mente e fazer você perceber (e valorizar) o que realmente importa na vida. Ele resume “viajar” em outra palavra também carregada de significado: amazing (ou “surpreendente”, em português).

E agora, que tal se inspirar na história de Henrik Jeppesen e começar a planejar sua próxima aventura? Pois então não perca tempo e consulte agora mesmo um agente de viagens. Dessa forma você garante uma trip sem perrengues!

Caso já tenha tido alguma experiência muito marcante em algum lugar do mundo, conta pra gente nos comentários! Mesmo porque seu depoimento pode ajudar a esclarecer as dúvidas de outras pessoas 😉

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