Uma das joias de Veneza, a Piazza San Marco faz jus à sua fama e ao gigantesco volume de turistas que circulam por ali diariamente, transformando-a em um dos lugares mais movimentados da sempre lotada cidade. Circula pela região o boato de que, um dia, Napoleão Bonaparte referiu-se à praça como “a sala de estar mais elegante da Europa”. Verdade ou não, o fato é que ninguém resiste aos seus encantos.
É na praça que está a fantástica Basilica di San Marco, um point e tanto do destino: as cinco cúpulas combinam graciosamente os estilos bizantino, românico e renascentista, e o seu interior é coberto por mosaicos dourados. Na parte superior, do lado de fora, quatro cavalos – réplicas dos famosos Cavalos de São Marcos, do escultor grego Lísipo – enfeitam a basílica, enquanto os originais ficam do lado de dentro, protegidos do sol e da poluição. Saqueados diversas vezes, eles já decoraram o Arco de Trajano, em Roma, o hipódromo de Constantinopla (atual Istambul) e o Arco do Triunfo do Carrossel, em Paris. Só depois da queda de Napoleão retornaram de vez a Veneza.
Ao lado da basílica, a imponente Campanille di San Marco (conhecida como Campanário) ocupa lugar de destaque. A extraordinária torre, em cujo topo estão os sinos da igreja, é dona de uma das localizações mais privilegiadas da região. E isso não é apenas por estar em pleno coração de Veneza, não. Do alto dos seus quase 99 metros, oferece o ângulo perfeito para quem quer fotografar a cidade de cima e vê-la preencher o horizonte com a sua aura histórica e misteriosa.
A praça é, também, a casa da Torre dell’Orologio (Torre do Relógio), que há mais de 500 anos marca as horas, o dia, as fases da lua, os signos do zodíaco e os cinco planetas que até então eram conhecidos na época de sua construção: Júpiter, Marte, Mercúrio, Saturno e Vênus. No topo, duas estátuas em bronze (uma é de um jovem e, a outra, de um homem mais velho) representam a passagem do tempo e tocam o sino para indicar as horas. Bem abaixo delas, um leão alado observa a cidade, uma representação simbólica do evangelista São Marcos, o padroeiro de Veneza.
Palazzo Ducale
Nenhum viajante pode ir embora sem conhecer o Palazzo Ducale (ou Palácio dos Doges), outra superatração do destino que fica na praça. O lugar serviu de morada para os doges, antigas autoridades máximas de Veneza, e remonta ao século 9, apesar de ter sido demolido e reconstruído em 1309 – o edifício atual foi finalizado em 1424. Elegante já do lado de fora, ostenta delicadas colunas e uma fachada repleta de mosaicos em rosa e branco, que parecem mudar de cor ao refletirem a luz do sol.
Cada uma das áreas do palácio tem a sua importância histórica, por isso vale passear por ali sem pressa, saboreando o significado de todos os aposentos. A Sala del Maggior Consiglio, onde antes eram eleitos os doges e realizadas as reuniões de Estado, destaca-se não apenas pelo tamanho excepcional, que a posiciona como uma das maiores da Europa, mas, também, pela decoração exuberante – apenas para se ter uma ideia, uma das paredes serviu de tela para Tintoretto criar Il Paradiso, uma das maiores obras de arte do mundo. No teto, retratos dos doges que governaram Veneza dão um ar solene ao salão, uma lembrança silenciosa de que o poder da cidade ficava concentrado ali.